Para marcar o Dia Internacional da Mulher foi realizada uma manifestação unificada com os diversos grupos feministas e segmentos da esquerda do Rio de Janeiro. Como 8 de março cairá num domingo, as organizadoras avaliaram que seria melhor antecipar a manifestação para o dia 6.

Bandeiras, cartazes e adereços deram o tom da manifestação. Numa mistura de criatividade, rebeldia e enfrentamento, as mulheres do Rio juntaram sindicatos, movimentos populares, do campo e da cidade, estudantes, aposentados e ONGs num único grito de igualdade entre os gêneros. A passeata foi em caminhada da Candelária até a Cinelândia.

A beleza de cores e diversidade de movimentos presentes não escondem o longo caminho a ser percorrida pelo movimento feminista em nosso país. A luta de Maria Celsa, com 46 anos e moradora de Sepetiba, é um caso emblemático. A cabeleireira, que ainda fazia trabalhos de modelo, foi queimada pelo namorado há 20 anos atrás. A juíza absolveu o homem alegando que nem toda vítima é vítima e nem todo réu é réu. Ainda disse Celsa estava sendo usada pelas feministas.

Mesmo com toda essa injustiça, Maria não desistiu de lutar. Ela estava na passeata com um abaixo-assinado que pedia a criação de uma lei municipal para garantir atendimento psicológico nas unidades de ensino (da creche ao nível superior) que trabalhe no sentido de prevenir novos atos de violência doméstica.

“Sou contra a Lei Maria da Penha porque ela só protege depois que a mulher já sofreu a violência. Prevenção só depois que a mulher apanha não é prevenção” - se indigna a moradora da Zona Oeste que usa seu testemunho como uma forma de mobilizar mais mulheres a participarem da luta em busca de seus direitos.


Fonte: Agência Petroleira de Notícias
Foto: Rafael Duarte (Agência Petroleira de Notícias)