Leia baixo a íntegra da nota das mulheres negras apresentada à Plenária Final do seminário:

Nós, Mulheres Negras, brasileiras de vários estados, movimentos, profissionais de comunicação, presentes no seminário de Controle Social da Imagem da Mulher na Mídia, queremos inicialmente agradecer os esforços da comissão organizadora no sentido de viabilizar a participação da grande diversidade que compõe o movimento feminista e de mulheres.

Entretanto, a representação quantitativa das mulheres negras não está traduzida no seminário nas nossas questões específicas – a idéia de que classe e não racismo institua as desigualdades da sociedade, tão bem refletidas nos meios de comunicação, tem permeado todas as mesas, quer pelas opiniões, quer pela invisibilização.

Queremos ressaltar que não bastam cotas de participação de negras se nossas questões não são consideradas nesse espaço, que deveria ter um olhar diferenciado e atento, e não de negação. Caso contrário, vamos reproduzir aquilo que execramos nos partidos.

As cotas para as mulheres não vêm acompanhadas da compreensão do seu significado, nesse sentido nos causa muita estranhesa a começar pelas mesas, palestrantes e comportamentos, passando pela cartilha norteadora que traduz a articulação mulher e mídia como formada por organizações que atuam na questão de gênero e classe. O curioso é que das 25 organizações que fazem parte, 7 são voltadas para questão racial.

Nesse sentido, quando constatamos com tristeza a exacerbação do racismo junto àquelas que deveriam ser nossas parceiras preferenciais e perguntamos se queremos, de fato, construir uma nova articulação onde cabemos todas com nossas diversidades e diferenças para a construção de um novo imaginário não só na mídia como na sociedade.